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Texto literário e não literário

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Texto literário e não literário Os textos literários e não literários estão presentes em livros, jornais, revistas, receitas, por isso estão sempre ao nosso lado

Diferenciar o texto literário do não literário não é uma tarefa fácil, por isso, utilizaremos exemplos e, a partir deles, faremos a diferenciação entre os textos. A seguir, leia a música “Meu guri”, de Chico Buarque, e uma notícia, que foi escrita baseada nos fatos apresentados na canção. Após a leitura, acompanhe a explicação.

O meu guri
Chico Buarque/1981

Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri

Acerto de contas entre criminosos faz nova vítima.

Ontem, o menor V.S foi encontrado morto, por volta das 7 horas no morro da Providência.  Ele era procurado por furto, roubo, receptação e tráfico.

A mãe do menor, conhecida como Joaquina, afirmou não possuir documentos pessoais, o que dificulta a liberação do corpo. Afirmou ainda desconhecer as práticas criminosas do filho. “Meu filho era um menino bom, criei ele sozinha, com muita dificuldade. Ele me prometeu uma vida melhor e tava cumprindo, mas não era fazendo nada errado não.”

Até o fechamento dessa matéria, a mãe ainda lutava pela liberação do corpo do filho.

(Jornal Escola, 23/08/1981, por Mayra Pavan)

Os textos lidos exemplificam a diferença entre o texto literário e o não literário, entretanto, não começaremos por diferenciá-los, mas por definir o que têm em comum. É possível que haja algo em comum entre um texto literário e o não literário? A fim de respondermos a essa questão, voltemos aos textos para descobrirmos sobre o que falam.  Conseguiu descobrir? Muito bem, ambos retratam a morte de um menor. Logo, eles se assemelham quanto ao assunto. A partir disso, é possível entender que o tema não é um fator que diferencie um texto literário de um não literário. Então, o que os diferencia? Acompanhe a explicação abaixo:

A função, ou seja, para que o texto foi escrito, é a primeira característica usada para diferenciar o texto literário do não literário.  Voltando aos textos, a notícia não tem outro objetivo que não o de informar, por isso, sua linguagem é objetiva, clara, as palavras foram usadas no sentido em que aparecem no dicionário, ou seja, sentido real, não havendo a necessidade de interpretações. Por isso, no texto não literário, a função predominante é a Referencial (centra-se na informação e linguagem direta).

Na música “Meu guri”, percebe-se que a linguagem é artística, ou seja, bem elaborada, e as palavras ganham novos significados, acompanhe a primeira estrofe:

“Quando seu moço, nasceu meu rebento/ Não era momento dele rebentar/ Já foi nascendo com cara de fome...”

Segundo o dicionário Houaiss, Rebento é broto; enquanto rebentar é estourar, explodir, etc. Analisando dessa forma, a mensagem não faria o menor sentido, não é mesmo? Por isso, aqui, as palavras devem ser entendidas conotativamente, ou seja, em sentido figurado. Logo, rebento deve ser entendido como filho, já rebentar deve ser compreendido como nascer de repente, sem planejamento. Outro detalhe é a presença de uma figura de linguagem para representar que o menino já nasceu em dificuldade, ele tinha “cara de fome”. Por isso, no texto literário, percebe-se a presença da função Poética da linguagem (as palavras são cuidadosamente escolhidas e a mensagem está em evidência).

No texto literário, não é possível sintetizá-lo sem que haja perda de significado, ou seja, da sua essência, já no não literário é perfeitamente possível resumi-lo, retirando o que é essencial.

Percebe-se, também, que o texto literário pode ter a presença da Função Emotiva (emoções e sentimentos sendo evidenciados).  O texto em que essa função está presente aparece em primeira pessoa, pois enfatiza quem produz a mensagem (emissor).  Na música, por exemplo, o eu-lírico diz: “meu rebento”, “meu guri”, “eu não entendo”, etc.

Acompanhe abaixo alguns exemplos de texto literário e não literário.

Texto Literário:

Poemas, romances literários, contos, lendas etc.

Texto não literário:

 Reportagens, receitas, livros didáticos etc.

A seguir, um quadro resumindo todas as características que diferenciam o texto literário do não literário. Entretanto, isso não significa que, em um mesmo texto, haja a presença de todas as características, ou que um texto não literário não possa ter nenhuma característica do literário. Por isso, entenda que o que caracteriza o texto como literário ou não é o predomínio de características.

Texto Literário:

  • Linguagem conotativa (sentido figurado);
  • Presença da Função Poética (centra-se na mensagem e preocupa-se com a arrumação das palavras);
  • Presença da Função Emotiva (expressa sentimentos);
  • Presença de figuras de linguagens;
  • Musicalidade.

Texto Não Literário:

  • Linguagem denotativa (sentido real);
  • Predomínio da Função Referencial (linguagem direta centrada na informação);
  • Linguagem impessoal (sem traços particulares, escrita em 3ª pessoa);
  • Fatos reais


Por Mayra Pavan
Graduada em Letras

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