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Independência do Brasil e o poder das elites

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Independência do Brasil e o poder das elites Cortina do teatro da corte por ocasião da coroação de D. Pedro I, desenhada por Jean-Baptiste Debret (1768-1848)

A Independência do Brasil foi o momento em que se iniciou na história do país a liberdade de organização política em relação a Portugal. O Grito do Ipiranga dado pelo príncipe regente Pedro em 07 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, transformou a colônia portuguesa nas Américas em um país independente.

Mas os motivos da proclamação da independência também estavam relacionados a eventos que ocorriam em Portugal. Após a vinda da Família Real portuguesa ao Brasil, em 1808, Portugal ficou sem um governante em seu solo.

Com o passar do tempo, a população passou a se manifestar para que essa situação fosse mudada. Em 1820, ocorreu a Revolução Liberal do Porto, obrigando o rei D. João VI, que estava no Brasil, a retornar a Portugal. Em terras brasileiras, o rei deixou seu filho, Pedro, como príncipe regente.

Em Portugal, as Cortes foram convocadas para elaborar a primeira constituição de Portugal. As Cortes eram a Assembleia Nacional, composta pela nobreza, pelo clero e pela burguesia. Faziam parte dessas Cortes deputados brasileiros que foram eleitos por uma pequena parte da população, com o objetivo de participar da elaboração da constituição.

A expectativa dos deputados e da população brasileira era garantir algumas liberdades com essa constituição. Mas o que ocorreu foi o contrário. O objetivo dos deputados portugueses era fazer, dentre outras coisas, com que o Brasil voltasse a ser colônia e seu comércio com outros países fosse proibido novamente.

As elites do Brasil não aceitaram tal posicionamento, pois estavam ganhando muito dinheiro com o comércio dos portos brasileiros, principalmente com a Inglaterra. As elites passaram então a pressionar Pedro a não aceitar as imposições dos portugueses. Além disso, a autorização de publicação da imprensa no Brasil, que foi dada quando D. João VI estava no país, fez com que os ideais liberais fossem difundidos em certas camadas da população. Os ingleses também tinham interesse na independência do Brasil, em virtude do lucrativo comércio que era realizado.

Esses interesses na independência do Brasil não agradavam aos portugueses. Frente a isso, pediram a volta do príncipe regente a Portugal. Parte da população pediu que Pedro ficasse no Brasil. Quando lhe foi entregue uma lista de assinaturas pedindo sua permanência, Pedro teria dito que ficaria no país. Esse fato ocorreu em 09 de janeiro de 1822, ficando conhecido como o Dia do Fico.

Pedro nomeou como Ministro do Reino e Estrangeiro José Bonifácio de Andrada, que atuou em prol da independência do país. Outro grupo que também apoiou a independência em relação a Portugal foi a maçonaria, cujos membros eram destacados homens da elite econômica do Brasil.

Pedro passou a se opor cada vez mais às decisões da Corte portuguesa. Em agosto de 1822, um novo despacho da Corte portuguesa pedindo o retorno de Pedro a Portugal foi enviado ao Brasil. O príncipe regente estava em viagem na província de São Paulo quando recebeu de um mensageiro os despachos portugueses. Pedro estava às margens do riacho Ipiranga, próximo à cidade de São Paulo. Após ler o teor dos despachos, teria dito: “É tempo: independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”. Era dia 07 de setembro de 1822, comemorado até hoje como dia da independência.

Em 12 de outubro de 1822, houve a coroação e sagração do novo imperador do Brasil, que passou a se chamar Dom Pedro I. Mas parte dos portugueses que habitavam o Brasil não aceitou a independência, ocorrendo alguns conflitos que ficaram conhecidos como as Guerras de Independência. Eles ocorreram principalmente no Pará, na Bahia, Maranhão, Piauí e em Cisplatina (atual Uruguai, que à época era território brasileiro).

Para lutar nessa guerra, D. Pedro I teve que pedir um financiamento da Inglaterra para montar suas Forças Armadas. Outro pedido financeiro seria feito aos ingleses para indenizar Portugal e assim garantir que a antiga metrópole reconhecesse a independência do Brasil, o que ocorreu em 1825. O custo foi de 2 milhões de libras esterlinas, dando início à dívida externa brasileira. O primeiro país a reconhecer a independência brasileira foi os EUA, em 1824, seguidos de México e Argentina.

Apesar de conseguir a Independência, a situação social no Brasil não se alterou. D. Pedro I continuava governando para os grandes proprietários de terras, traficantes de escravos e comerciantes. A escravidão não foi abolida e o poder continuou centralizado na pessoa do Imperador, excluindo a imensa maioria da população da participação política.


Por Tales Pinto
Graduado em História

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