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Bispo Sardinha e a antropofagia

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Bispo Sardinha e a antropofagia Ritual antropofágico desenhado por Theodore de Bry (1528-1598)

O primeiro bispo do Brasil foi dom Pero Fernandes Sardinha, que chegou a Salvador em 1551, vindo de Portugal. Sua trajetória ficou marcada na história do Brasil por ter sido, segundo alguns relatos controversos, devorado por índios caetés, em um ritual de antropofagia, no litoral do nordeste brasileiro, em 1556. A antropofagia era a prática realizada por algumas tribos indígenas de comer homens aprisionados ou pegos durante guerras. A antropofagia também é conhecida como canibalismo. A morte do bispo Sardinha pode ter ocorrido em um destes rituais de antropofagia.

O bispo Sardinha tentou controlar as ações dos colonos portugueses que vieram para o Brasil durante os primeiros anos de colonização portuguesa. Ele tentava combater, por exemplo, o hábito de fumar, adquirido com os indígenas, bem como tentava impedir que os portugueses se relacionassem sexualmente com as indígenas.

À época, Duarte da Costa era governador-geral do Brasil. Seu filho, Álvaro da Costa, era um homem violento e que utilizava da força para intimidar principalmente os indígenas. Era também um dos que se relacionavam sexualmente com as indígenas. Durante um de seus sermões, o bispo Sardinha condenou as ações de Álvaro da Costa, o que resultou no início de um conflito entre o bispo e o governador-geral.

Como não tinha forças para enfrentar Duarte da Costa, o bispo Sardinha decidiu voltar a Portugal para fazer suas reclamações diretamente ao rei D. João III. Em 1556, o bispo Sardinha embarcou na nau Nossa Senhora da Ajuda com destino à Europa. Mas após ter percorrido poucas seis léguas (24 Km), seu navio naufragou na costa do atual estado de Alagoas, próximo à foz do rio Coruripe.

O bispo e cerca de mais 90 tripulantes teriam conseguido chegar à costa, mas, ao serem capturados pelos índios caetés, de linhagem próxima aos tupinambás, foram devorados em um banquete antropofágico. Apenas três tripulantes teriam conseguido fugir e relataram o que aconteceu.

O principal narrador do fato foi o frei Vicente de Salvador, e não se sabe ao certo se o banquete realmente ocorreu. Porém, a morte do bispo Sardinha serviu de pretexto aos portugueses para iniciarem uma guerra contra os caetés. Em cinco anos de conflito, os portugueses exterminaram os cerca de 80 mil caetés e passaram a colonizar a região onde eles habitavam.

Nesse caso, o ritual antropofágico do bispo Sardinha e dos outros náufragos serviu para que os portugueses iniciassem a guerra contra os caetés. Serviu também como tema principal do Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, que afirmava, com uma metáfora, que somente a antropofagia unia os brasileiros, pois a formação da identidade da nação ocorreu após haver devorado e deglutido (digerido) as matrizes culturais europeias, africanas e indígenas.

Oswald de Andrade escreveu seu Manifesto Antropofágico no ano 374 da Deglutição do bispo Sardinha.


Por Tales Pinto
Graduado em História

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